sexta-feira, 5 de março de 2010

Encontros de aliados com “Táta” preocupam Iberê

Duas conversas que os principais aliados do vice-governador Iberê Ferreira de Souza mantiveram nos últimos dias, à sua revelia, com o que no momento lhe parece ser o concorrente a quem precisa vencer mais depressa, e o aparecimento, em decorrência, no noticiário político de Natal, de um termo que ainda não havia sido utilizado objetivamente contra ele acenderam uma lâmpada amarela diante do estafe político do candidato do PSB à sucessão da governadora Wilma de Faria.
As duas conversas tiveram o advogado, ex-prefeito e ex-deputado estadual Carlos Eduardo, presidente regional e pré-candidato do PDT a governador como interlocutor de Wilma e do deputado federal Henrique Eduardo Alves, presidentes regionais do PSB e do PMDB, respectivamente. Travados na segunda e na terça-feira 1° e 2, respectivamente, os dois encontros contaram ainda com as participações dos principais marketeiros eleitorais vinculados a Wilma e a Henrique Eduardo, os publicitários Alexandre Macedo, diretor da Base, a empresa que mais presta serviços na área ao governo do Estado, e Ricardo Rosado de Holanda, diretor da Faz Propaganda.
A palavra que emergiu desses encontros é "susbstituição", porque nos dois momentos os aliados de Iberê examinaram a possibilidade de ele não conseguir empinar sua candidatura até uma altura que ameaçasse a senadora Rosalba Ciarlini (Dem) campeoníssima de todas as sondagens eleitorais realizadas o tempo permitido pela legislação eleitoral, a ter que disputar o Palácio Potengí num hipotético segundo turno.
O sigilo com que os interlocutores de Carlos Eduardo procuraram cobrir os encontros é outro sintoma preocupante. A assessoria de Henrique Eduardo ainda deixou vazar informações, não se sabe se apenas depois que vários políticos testemunharam, por mera coincidência, a convergência dele e de Carlos Eduardo para o prédio de Petrópolis em que queriam sussurrar sem gravações. O coneúdo do que foi pronunciado durante o encontro de Wilma e Alexandre Macedo ainda está coberto por muito sigilo, mas neste campo quando menor a transparência, maior a suspeita. Principalmente se logo depois dos encontros o noticiário político passou a mencionar diálogos sobre a partir de determinado momento da campanha eleitoral Carlos Eduardo aceitar assumir a posição de Iberê como o candidato do sistema ao governo do Estado.
Anteontem, o jornalista e publicitário Sávio Rackradt, candidato a senador pelo PCdoB, primeiro partido a se coligar com o PDT, considerou possivel Carlos Eduardo herdar a candidatura de Iberê.
Tudo passou a alargar o fôsso que há semanas vem se abrindo entre os acólitos de Iberê e o vilmismo.
Os iberezistas já nem se lembravam de alguns meses atrás uma hipótese de alguém puxar o tapete de sob os pés do seu candidato haver entronizado nas discussões políticas deste ano o termo "cristianizar" como síntese do que estaria sendo preparado contra ele. Agora, mostram-se altamente seletivos quanto a quem é aliado deIberê e de Wilma, separando estas pessoas daquelas que só assumiram compromisso visando transportar a governadora para o Senado da República. Ainda ontem, por exemplo, um colaborador de Iberê deixou escapar a informação de que o estafe do vice-governador está reexaminando, com lente de aumento, todos os compromissos financeiros que Wilma assumiu para que ele honrasse a partir de sua posse, a 2 de abril.
Interessa-lhes priorizar entre os destinatários dos recursos aqueles que efetivamente votarem nos dois. Se der esta peneirada, Iberê fará mais mal à imagem de Wilma do que todos os ex-amigos dela que só a mencionam como "xexeira" e talvez a afaste da disputa pelo Senado.
E se uma súbita constatação de que lhe falta chão afastar Iberê da disputa, ele passará a governar como magistrado, deixando que cada candidato utilize seus meios.
Fonte: http://www.nominuto.com/blog/roberto-guedes/

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